segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Konichiwa Bitch e a e-music

A música pop atual leva este rótulo por se difundir rapidamente dentre uma grande parcela da população do mundo, principalmente a ocidental. Com o advento da Internet, compartilhar músicas é o habitual de muitas pessoas. E cada vez mais os artistas não hesitam em publicar seus trabalhos através da rede. O pop representa ainda uma fatia considerável de vendas e de sustentação do mercado musical, que ao longo de 20 anos teve de se adaptar aos seus clientes, principalmente após da revolução criada por Shawn Fanning. Fora estas mudanças de sentindo político econômico da música, socialmente o pop também sofreu por drásticas mudanças.

Com a velocidade de transmissão de informações entre as pessoas, as músicas em especial sofreram um efeito de "aceleramento", ou seja, o B.P.M. das músicas se adequou a realidade  da velocidade de comunicação. Basta recordar-se dos hits das décadas de 70 e 80, em especial, as baladas que faziam sucesso dentro das discotecas pelo mundo. Claro que baladas, as românticas em maioria, ainda tem seu espaço garantido, mas dentro do lugar comum de encontro que as discotecas proporcionam, mesmo as baladas românticas sofreram modificações para se adequarem a um novo paradigma morfológico da música pop atual.

Vários artistas pop tem em sua música essa expressão diferenciada da música pop atual, mas uma em especial aparenta juntar em si mesma estas informações complexas das transformações musicais de 30, 40 anos de mudança e sintetizar uma música que representa categoricamente o que eu digo: Robyn Konichiwa.

Essa cantora suéca começa a ganhar um público ainda mais extenso pelo mundo, e, com mais de 15 anos de carreira, a Konichiwa Bitch apresenta um trabalho que concentra muitos conceitos das mudanças da música pop atual, junto do diferencial de proporcionar uma experência de nostalgia e encantamento de seus ouvintes.
O single que fez ela despontar no mercado musical norte americano e consequentemente o mundo foi With every heartbeat, que tocou nas rádios, e principalmente nas discotecas pelo mundo. Robyn sintetiza em sua música a sonoridade das baladas de grandes divas da década de 70, agressividade e tonalidade musical e a estética da cor da década de 80, o swing e os ares de ícone pop da década de 90, e, a base musical eletrônica consolidada nos anos 2000.

Robyn faz uma música dançante, com letras adultas, de conteúdo afetivo-sexual, que leva em conta os fenômenos relacionais da atualidade, sem levantar bandeiras ou partidarismo. É uma música que pode ser ouvida tanto numa boate gay quando hétero. Acima de tudo é uma música que não fica refém da superficialidade e velociadade do pop. É uma música de referência sofisticada que toca as pessoas, dura no tempo.



Mas não é somente Robyn que assume essa nova face da música pop atual. Além de outras cantoras conhecidas da grande maioria, existem outros que tem feito diferencial neste estilo musical, mesmo que não tenham atingindo uma grande parcela social, mas não deixam de ser representantes do fenômeno e-music no pop: Kelis com seu Flesh Tone, La Roux e no início da década de 2000 os franceses do Daft Punk com seu Discovery.

                                             Interstella 5555-The 5tory Of The 5ecret 5tar 5ystem 


Sem dúvidas estes artistas se destacam do pop comercial rotativo e superficial e se consolidam como artistas de diferencial, que representam uma parte marcante da música pop da atualidade. Junto deles novos artistas tem entrado por esta vertente da e-music tendo seus trabalhos divulgados principalmente pela rede, como Fenech Soler, The Naked and Famous e a sonoridade eletro pop de boas impressões do Miami Horror, uma música feliz que vale a pena conhecer, então, divirta-se!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O monstro pop Lady GaGa e identificação da diversidade sexual de uma geração

Ela é um fruto agridoce, azedo e apimentado do ambiente musical pop americano e mundial. Estranhamente, com a estranheza, a Senhorita Germanotta, conquistou uma legião de jovens fãs pelo planeta. Após o sucesso dos albúns The Fame e The Fame: Monster, GaGa lançou em 11 de fevereiro seu novo single Born This Way, que leva o mesmo nome do próximo albúm a ser lançado pela Mother Monster, como gosta de se denominar em seus shows.



Lady GaGa tem ganhado notoriedade no mundo pop e tem feito legiões de fãs não somente pela sua música, que em si mesma, nada de surpreendente acrescenta no sentido da forma e sonoridade dançante que apresenta, mas que impressiona com  letras de tonalidade sexual e uma certa ambiguidade superficial com ares de ativismo político.

Sim, porque, GaGa dentro e fora dos palcos, surpreende as pessoas com a estética do estranho, onde o que é presumidamente o não belo ganha status de tendência de moda e de proposta de arte quando ela simplesmente usa. Deste modo, mais do que nunca, Lady GaGa é representante da estética da superficialidade em que nossa sociedade se sustenta atualmente, é algo como a ponta do Iceberg de movimentos culturais e políticos da década de 60, 70, 80 e 90. Talvez ela não tenha feito grande inovação para a música, mas ela foi a primeira de nossa época em concentrar em uma só imagem as principais tendências culturais ocidentais dos últimos 40 anos. E ao meu ver este é o trunfo desta jovem.

A principal tendência que GaGa exibe se faz evidência por meio da sexualidade que ela exala. Não diferente dos movimentos do final dos anos 60, e da da década de 70. Mas com algo de novo: o ativismo político da identidade sexual. O inovador é que esta jovem sintetiza em si uma movimentação político cultural da superficialidade do sexo, da assunção do rótulo sexual: Lady GaGa representa o movimento social contra a violência social do sexo e do incentivo de ser quem se é, no caso do sexo, e principalmente dos gays a qual ela se afirma partidária, ela representa o sair do armário, o mostrar-se como se realmente é, sem máscaras.

O inovador não tão novo, é a imagem que ela criou que talvez faça de uma outra maneira o que a Psicanálise apresenta de modo conceitual e torno da sexualidade, do desejo e do inconsciente. Mas, como já dito, é de modo superficial a movimentação gerada por Lady GaGa.


Born This Way  é a confirmação musicada do partidarismo de Lady GaGa aos que se sentem diferentes a grosso modo, mas em específico, tem a sonoridade de um hino gay, como os da década de70, mesmo que não tenha esta intenção e que não venha se consolidar como tal. Mas, mais do que certo, é um mantra que vai se repetir nas boates gay pelo mundo.



Também, até então, não é nada mais do que isso. Por mais que toda a produção estética de GaGa, fortemente baseadas em tendêncas de um passado não tão distante, sua música com ares de protesto político, ainda é deficiente para se consolidar como frente de movimentação política efetiva. Por mais que trate escancaradamente e partidariamente da diversidade sexual do mundo para o mundo, acaba por ficar na superficialidade das sociedades de controle em que vivemos, sociedades da aparência do rótulo. Toca no assunto sexo, mas ainda, não apresenta elaboração social. Até porque, o sucesso da cantora não foge a lógica econômica do capital, e, mesmo com a difusão da virtualidade e da comunicação massificada, não ultrapassa, ainda, as membranas defensivas de uma grande maioria de pessoas no mundo quando o assunto é sexo.

Lady GaGa é a estranha encarnação do estranho, da androgenia digital, da classificação e rotulação da identidade sexual de uma geração. Talvez ela seja uns dos primeiros ícones da sociedade pós moderna. Tenho dúvidas se sua música pode ser considerada arte ou objeto de consumo. A novidade talvez seja o fato de ser uma cantora que trata a flor da pele o sexo, apresenta e representa a condição sexual para uma platéia que se diz aberta a este tema, mas que eu disconfio dessa abertura.

Um fato é certo: ela é um monstro no que faz, no que canta, no que veste e vende. Em 10 anos talvez veremos a repercussão de toda essa movimentação criada por ela. Ou não.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Dzi Croquettes: A Contracultura de Purpurina e Paetê

"... era uma coisa diferente, porque era tão vanguardista." - Liza Minelli.

Mistura improvável de plumas, boás, purpurina, muita maquiagem e adereços, encarnados em 13 corpos masculinos, bailarinos, atores, cantores, artistas multifacetados, fluentes em inglês e francês, revolucionários de uma época.



Muito pouco pra definir a experiência sensorial que os Dzi Croquettes apresentaram para um público acuado com os Atos Institucionais de uma Ditadura que intentava em fazer da moral hierárquica a ética de cada um dos cidadões do Brasil.

Liderados por Lennie Dale, americano, dançarino apaixonado pela música e cultura do Brasil da época, e com o texto e criatividade de Wagner Ribeiro, intitulados pai e mãe da família Dzi Croquettes, estes visionários recrutaram um refinado exército para um espetáculo complexo para o fim da década de 60 e ínicio da década de 70, espetáculo este que juntava dança, teatro, humor em um caos organizadamente metódico. E ousado.

Com o controle aversivo da censura da época, era insanidade adentrar numa proposta de expressão artística como foram os Dzi Croquettes. Mais do que isso era uma afronta ao poder militar.  Mas a ousadia destes homens cobertos de purpurina, extremamente sedutores, completamente andrógenos, fez uma geração de jovens se encantar.

Foi a ousadia de uma tropa armada de requinte inteligível contra o poder militar, ousadia vanguardista no uso da expressão artística contra ao controle repressivo da Ditatura instaurada no Brasil. Obviamente, a Ditadura que feriu-se com a incompreensão do que era a utopia criada pelos Dzi Croquettes,  que ia contra ao controle expressivo do AI-5, colocou um fim a mágica criada por estes homens. Temporariamente no Brasil.

Com isso o mundo europeu aplaudiu nos mais clássicos dos teatros franceses esta fabulosa obra de contracultura. Não se sabe ao certo se o objetivo do Dzi Croquettes era voltar-se contra ao movimento militar brasileiro, desta maneira, conscientemente ou não, eles os fizeram. Com o escracho e deboche desconstruiram para o Brasil e o mundo, a ignorância de um movimento repressivo.

Colocaram o corpo nu a mostra, fizeram rir, cantaram e encantaram em francês fluente. Criaram uma revolução sem arma de fogo, sem imposição. Usaram a arte em favor da liberdade de escolha, denunciaram o controle impositivo da ditadura com inteligência e pionerismo.

Hoje Dzi Croquettes pode ser visto e conhecido através do documentário criado por Tatiana Issa & Raphael Alvarez, que esteve em exibição nos cinemas do Brasil e em mostras de cinemas pelo mundo.



Se hoje bicha não morre, vira purpurina, com certeza é culpa de Dzi Croquettes!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

why?

Menina! Cuidado! Presta atenção ao atravessar essa rua! Parece que tá no mundo da lua, tá me escutando?
          (adolescente típica na rua escutando Lady GaGa no talo sem dar a mínima para os berros da mãe.)

Cada um de nós tem algum tipo de relação íntima com a música, no apreço por algum cantor ou canção, em manifestações populares, religiosas de qualquer cultura, no cotidiano com os fones de ouvido cantarolando pela rua, e também no fanatismo desvairado por algum ídolo músical na juventude, no decorrer da vida, e, porque não na maturidade?
A música traz para cada um de nós uma experiência única mas bem conhecida de todos. Cientificamente é dissecada na intenção compreender até mesmo suas funções médico terapêuticas. Pois bem. Que seja nostalgia, transe, relaxamento, curtição, música em todas as suas possibilidades é sinônimo de alteração da consciência, é uma experiência mágica que nos faz viajar no tempo e espaço, sonhar, se apaixonar, ou simplesmente dançar.


O AvantGarde Culture Music timidamente vem apresentar um pouquinho dessa louca experiência que música e seus afins nos proporciona! Vem mostrar o que desperta curiosidade e nos impressiona, o que está a frente do nosso tempo!

Sirva-se de música, escute, se expresse, divirta-se!

Seja bem vindo!