Ela é um fruto agridoce, azedo e apimentado do ambiente musical pop americano e mundial. Estranhamente, com a estranheza, a Senhorita Germanotta, conquistou uma legião de jovens fãs pelo planeta. Após o sucesso dos albúns The Fame e The Fame: Monster, GaGa lançou em 11 de fevereiro seu novo single Born This Way, que leva o mesmo nome do próximo albúm a ser lançado pela Mother Monster, como gosta de se denominar em seus shows.
Lady GaGa tem ganhado notoriedade no mundo pop e tem feito legiões de fãs não somente pela sua música, que em si mesma, nada de surpreendente acrescenta no sentido da forma e sonoridade dançante que apresenta, mas que impressiona com letras de tonalidade sexual e uma certa ambiguidade superficial com ares de ativismo político.
Sim, porque, GaGa dentro e fora dos palcos, surpreende as pessoas com a estética do estranho, onde o que é presumidamente o não belo ganha status de tendência de moda e de proposta de arte quando ela simplesmente usa. Deste modo, mais do que nunca, Lady GaGa é representante da estética da superficialidade em que nossa sociedade se sustenta atualmente, é algo como a ponta do Iceberg de movimentos culturais e políticos da década de 60, 70, 80 e 90. Talvez ela não tenha feito grande inovação para a música, mas ela foi a primeira de nossa época em concentrar em uma só imagem as principais tendências culturais ocidentais dos últimos 40 anos. E ao meu ver este é o trunfo desta jovem.
A principal tendência que GaGa exibe se faz evidência por meio da sexualidade que ela exala. Não diferente dos movimentos do final dos anos 60, e da da década de 70. Mas com algo de novo: o ativismo político da identidade sexual. O inovador é que esta jovem sintetiza em si uma movimentação político cultural da superficialidade do sexo, da assunção do rótulo sexual: Lady GaGa representa o movimento social contra a violência social do sexo e do incentivo de ser quem se é, no caso do sexo, e principalmente dos gays a qual ela se afirma partidária, ela representa o sair do armário, o mostrar-se como se realmente é, sem máscaras.
O inovador não tão novo, é a imagem que ela criou que talvez faça de uma outra maneira o que a Psicanálise apresenta de modo conceitual e torno da sexualidade, do desejo e do inconsciente. Mas, como já dito, é de modo superficial a movimentação gerada por Lady GaGa.
Born This Way é a confirmação musicada do partidarismo de Lady GaGa aos que se sentem diferentes a grosso modo, mas em específico, tem a sonoridade de um hino gay, como os da década de70, mesmo que não tenha esta intenção e que não venha se consolidar como tal. Mas, mais do que certo, é um mantra que vai se repetir nas boates gay pelo mundo.
Também, até então, não é nada mais do que isso. Por mais que toda a produção estética de GaGa, fortemente baseadas em tendêncas de um passado não tão distante, sua música com ares de protesto político, ainda é deficiente para se consolidar como frente de movimentação política efetiva. Por mais que trate escancaradamente e partidariamente da diversidade sexual do mundo para o mundo, acaba por ficar na superficialidade das sociedades de controle em que vivemos, sociedades da aparência do rótulo. Toca no assunto sexo, mas ainda, não apresenta elaboração social. Até porque, o sucesso da cantora não foge a lógica econômica do capital, e, mesmo com a difusão da virtualidade e da comunicação massificada, não ultrapassa, ainda, as membranas defensivas de uma grande maioria de pessoas no mundo quando o assunto é sexo.
Lady GaGa é a estranha encarnação do estranho, da androgenia digital, da classificação e rotulação da identidade sexual de uma geração. Talvez ela seja uns dos primeiros ícones da sociedade pós moderna. Tenho dúvidas se sua música pode ser considerada arte ou objeto de consumo. A novidade talvez seja o fato de ser uma cantora que trata a flor da pele o sexo, apresenta e representa a condição sexual para uma platéia que se diz aberta a este tema, mas que eu disconfio dessa abertura.
Um fato é certo: ela é um monstro no que faz, no que canta, no que veste e vende. Em 10 anos talvez veremos a repercussão de toda essa movimentação criada por ela. Ou não.


concordo com o fato dela ser grandiosa no que faz, mas sinceramente, não vejo uma repercussão tão estrondosa, penso que outras fazem isso de forma mais competente e não copiaram tanto Madonna. Acho bizarro seus exageros e suas polêmicas. Cansa... mas não significa que ela não tenha por seus meios atingido seus objetivos de mídia, a superficialidade e a futilidade. Suas críticas são grandes, mas não ferozes. Elas não fazem pensar. Tocam no assunto, mas parecem não ter um embasamento teórico suficiente para tal. Talvez se ela tivesse ficado como pianista e com letras inteligentes eu gostaria mais. =D
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