"... era uma coisa diferente, porque era tão vanguardista." - Liza Minelli.
Mistura improvável de plumas, boás, purpurina, muita maquiagem e adereços, encarnados em 13 corpos masculinos, bailarinos, atores, cantores, artistas multifacetados, fluentes em inglês e francês, revolucionários de uma época.
Muito pouco pra definir a experiência sensorial que os Dzi Croquettes apresentaram para um público acuado com os Atos Institucionais de uma Ditadura que intentava em fazer da moral hierárquica a ética de cada um dos cidadões do Brasil.
Liderados por Lennie Dale, americano, dançarino apaixonado pela música e cultura do Brasil da época, e com o texto e criatividade de Wagner Ribeiro, intitulados pai e mãe da família Dzi Croquettes, estes visionários recrutaram um refinado exército para um espetáculo complexo para o fim da década de 60 e ínicio da década de 70, espetáculo este que juntava dança, teatro, humor em um caos organizadamente metódico. E ousado.
Com o controle aversivo da censura da época, era insanidade adentrar numa proposta de expressão artística como foram os Dzi Croquettes. Mais do que isso era uma afronta ao poder militar. Mas a ousadia destes homens cobertos de purpurina, extremamente sedutores, completamente andrógenos, fez uma geração de jovens se encantar.
Foi a ousadia de uma tropa armada de requinte inteligível contra o poder militar, ousadia vanguardista no uso da expressão artística contra ao controle repressivo da Ditatura instaurada no Brasil. Obviamente, a Ditadura que feriu-se com a incompreensão do que era a utopia criada pelos Dzi Croquettes, que ia contra ao controle expressivo do AI-5, colocou um fim a mágica criada por estes homens. Temporariamente no Brasil.
Com isso o mundo europeu aplaudiu nos mais clássicos dos teatros franceses esta fabulosa obra de contracultura. Não se sabe ao certo se o objetivo do Dzi Croquettes era voltar-se contra ao movimento militar brasileiro, desta maneira, conscientemente ou não, eles os fizeram. Com o escracho e deboche desconstruiram para o Brasil e o mundo, a ignorância de um movimento repressivo.
Colocaram o corpo nu a mostra, fizeram rir, cantaram e encantaram em francês fluente. Criaram uma revolução sem arma de fogo, sem imposição. Usaram a arte em favor da liberdade de escolha, denunciaram o controle impositivo da ditadura com inteligência e pionerismo.
Hoje Dzi Croquettes pode ser visto e conhecido através do documentário criado por Tatiana Issa & Raphael Alvarez, que esteve em exibição nos cinemas do Brasil e em mostras de cinemas pelo mundo.
Se hoje bicha não morre, vira purpurina, com certeza é culpa de Dzi Croquettes!


Realmente muito a frente de seu tempo! Dzi Croquettes foi fenomenal!
ResponderExcluirSeria lindo que todos hoje conhecessem um pouquinho do que eles foram, e me entristeço ao saber que nunca poderei ver esse show.